18 Dezembro 2017

A infância em um mundo digital

Em seu último relatório anual, ‘O Estado Mundial da infância 2017: Crianças em um mundo digital’, UNICEF analisa pela primeira vez como a tecnologia digital afeta as vidas das crianças, tanto por seus perigos como pelas oportunidades que oferece.

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A tecnologia digital transformou o mundo no qual vivemos: mudou indústrias inteiras e alterou a paisagem social. E a infância se viu igualmente atravessada por este processo incontrolável: um em cada três usuários da internet de todo o mundo é uma criança, e os jovens representam a faixa etária mais conectada. Desde as fotos que compartilham até o histórico médico que se salva na nuvem, o rastro de muitas crianças está presente no mundo digital antes, inclusive, de que aprendam a andar ou a falar.

A tecnologia digital pode ser um ponto de inflexão para as crianças desfavorecidas, pois lhes oferece novas oportunidades de aprender, interagir e se fazerem ouvir. Todavia, também pode se converter em uma brecha divisória: milhões de crianças se encontram isoladas em um mundo cada vez mais conectado.

Em seu último relatório anual, O Estado Mundial da Infância 2017: Crianças em um mundo digital, a agência da ONU analisa pela primeira vez como a tecnologia digital afeta a infância, tanto pelos perigos que supõe quanto pelas oportunidades que oferece. “Para o bem ou para o mal, a tecnologia digital é um feito irreversível em nossas vidas”, reconheceu o diretor executivo da UNICEF, Anthony Lake. “Em um mundo digital, nosso duplo desafio é saber como mitigar os danos e maximizar os benefícios da Internet para cada criança”, defendeu.

Jovens com acesso à internet

Na mesma velocidade na qual se desenvolve a tecnologia digital, aumentam os perigos que enfrentam as crianças quando se conectam: desde o assédio cibernético até o uso inadequado de informação privada, a explotação e o abuso sexual on-line.

Seja para o bem e para o mal, a tecnologia digital ocupa, irreversivelmente, já o centro das nossas vidas. O relatório da UNICEF insiste em que o modo como minimizemos os riscos enquanto ampliamos o acesso a seus benefícios contribuirá para configurar a vida e o futuro de uma nova geração de nativos digitais.

O objetivo da UNICEF é revelar como a internet e a tecnologia digital estão facilitando e entorpecendo ao mesmo tempo a aprendizagem, o bem-estar e as relações sociais das crianças. Nesta análise o organismo internacional urge aos diferentes países e autoridades na necessidade de fazer da internet um lugar mais seguro para as crianças e, ao mesmo tempo, ampliar o acesso a a tecnologia digital, especialmente para os mais desfavorecidos.

 

 

Em um mundo digital, nosso duplo desafio é saber como mitigar os danos e maximizar os benefícios da Internet para cada criança”, Anthony Lake.

Assim, a UNICEF faz uma chamada aos governos, ao setor da tecnologia digital e às industrias de telecomunicação para que ampliar o acesso à internet e proteger as crianças que se conectam se tornem prioridades. Os responsáveis pela elaboração de políticas e os empresários devem trabalhar em benefício das crianças mediante ações práticas, como, por exemplo:

Facilitar a todos as crianças o acesso a recursos da internet de alta qualidade; Proteger a infância dos perigos digitais; Garantir a privacidade das crianças; Fornecer formação digital; Avançar em práticas e regulações éticas que protejam as crianças; Situar as crianças no primeiro plano das políticas digitais.

Do mesmo modo, na ProFuturo temos como missão reduzir a brecha educativa no mundo fornecendo uma educação digital de qualidade a crianças de ambientes vulneráveis da África Subsaariana, América Latina e Sudeste Asiático.

Crianças em um mundo digital. Alguns dados

1.Um de cada três usuários da internet de todo o mundo é uma criança.

2.Os jovens de entre 15 a 24 anos são a faixa etária mais conectada, até o ponto de que 71% deles utiliza internet.

3.Todavia, um terço dos jovens do mundo, 346 milhões, não estão conectados. Este fato agrava a desigualdade e reduz a capacidade destes jovens para participar de uma economia cada vez mais digital.

4.Na África, três de cada cinco jovens estão desconectados –na Europa somente um de cada 25– o que torna o continente africano o mais desconectado.

5.A brecha digital também é de gênero: em nível mundial, 12% mais de homens do que de mulheres utilizou internet em 2017. No caso da Índia, por exemplo, menos de um terço dos usuários da internet são mulheres, de acordo com o relatório.