“As matemáticas estão em todo o lado, fazem parte da vida quotidiana”, explica Paquita, docente numa escola rural de Porcón Alto, nas montanhas do Peru. Para ela, os números estão em tudo o que fazemos e é isso que tenta transmitir aos seus alunos.
A sua máxima é que “sem saber matemáticas é muito difícil viver hoje em dia” e, por isso, usa a criatividade para que os seus estudantes as compreendam. Faz isso através de algo que todas as crianças da zona conhecem bem: o caldo verde. Este prato típico da região é o elemento central da receita matemática de Paquita. Na Escola Primária 82912, a mais de 900 quilómetros da capital do país, Lima, todas as crianças estão a aprender a somar, subtrair, multiplicar e dividir com base na gastronomia.
Assim, esta professora de matemáticas está a transformar-se numa força motriz de mudança social. Numa região onde a infraestrutura educativa é limitada e os recursos escassos, Paquita oferece aos seus estudantes uma oportunidade de desenvolvimento. Cada lição na sua sala de aula é uma semente que cresce e que reforça o tecido social de Porcón Alto. Nesta escola rural, como explica a própria docente, as crianças aprendem que as matemáticas são muito mais do que números abstratos.
“Estão a aprender a resolver problemas reais, a pensar de forma crítica, e a utilizar as matemáticas de uma maneira que lhes será útil no futuro”, explica Paquita.
A receita do sucesso
A dinâmica que Paquita criou para a sua sala de aula é muito simples: utiliza o caldo verde, um prato típico da região, para ensinar conceitos matemáticos de forma prática. Mas, como o faz?
A professora lança uma pergunta, por exemplo: “Para 180 estudantes, quantos quilos de batatas são necessários para preparar o caldo verde?”. Essa é a primeira parte do problema matemático, que se torna numa oportunidade para que as crianças desenvolvam habilidades matemáticas essenciais, como somas, subtrações, multiplicações, divisões e a aplicação de proporções.
Com essa pergunta como ponto de partida, os seus alunos e ela trabalham de forma colaborativa para descobrir o que é necessário para fazer a sua receita. Passo a passo, juntos, vão descobrindo quantos quilos de batatas são necessários para um maior número de pessoas.
“Se para 10 estudantes são necessários 4 quilos de batatas, para 20 são necessários 8. Se temos uma despensa com ‘x’ quilos de batatas, quantos mais precisamos comprar?”, pergunta-lhes. E assim vai orientando a conversa para que os estudantes resolvam o problema.
Além disso, à medida que descobrem os quilos necessários para cozinhar o caldo verde, a sala de aula vai calculando o custo dos ingredientes. Porque se o quilo de batatas custa três soles, quanto vão custar os que precisamos para alimentar 5, 10 ou 100 pessoas?
Dessa forma, os alunos não só aprendem a fazer cálculos, como também os aplicam a uma situação real, o que lhes permite conectar a teoria com o seu dia a dia. “Às vezes, coloco-lhes problemas com os quais eles próprios podem criar o seu próprio desafio. O trabalho é que eles trabalhem no seu próprio processo de resolução, e que vão utilizando as ferramentas básicas que precisam de dominar: somas, subtrações, multiplicação, divisão…”, explica a professora.
Caldo verde… digital
Como parte do programa de inovação no ensino com tecnologia do ProFuturo, Paquita também introduziu o mundo digital na sala de aula. Assim, os seus alunos já não aprendem apenas matemática com a receita do caldo verde, mas também o fazem com ferramentas como tablets.
A plataforma de Matemática ProFuturo, desenvolvida com a tecnologia IteNlearning, que esta professora utiliza, é uma ferramenta educativa criada para transformar o ensino desta disciplina e está direcionada especialmente para comunidades rurais e vulneráveis. Paquita conta que, graças a esta tecnologia, os estudantes podem praticar ao seu próprio ritmo, com problemas de baixa, média e alta complexidade, adaptados às suas necessidades e progressos.
“A tecnologia também é muito importante porque a criança deve conhecer, deve estar atenta, deve aprender a utilizá-la para que aproveitem, para que fiquem preparados para o futuro”, diz a docente, que recorda a época em que ela estudava. Na altura, diz, “não havia este tipo de tecnologia”. E relata: “Os estudantes sentávamo-nos num banco e ouvíamos o professor que sabia tudo”.
Hoje, ao contrário, “a criança constrói a sua aprendizagem a partir do seu contexto, do que vive, do que vê à sua volta, e isso leva-o para a sala de aula”, acrescenta. E garante: “Com os tablets conseguimos que eles gostem de matemática. Aqui, na escola de Porcón Alto, perguntamos aos estudantes e eles dizem que é a matéria pela qual se decantam”.
Tão apaixonados estão os alunos pelos números que, conclui a professora, “os próprios alunos pedem para recuperar a aula se houver um feriado”.
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